Análise de colpocitologia oncológica em meio líquido e rastreio de infecções sexualmente transmissíveis por biologia molecular em mulheres em situação de vulnerabilidade social na cidade do Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.5327/JBG-2965-3711-157Palabras clave:
IST, Colpocitologia, Vulnerabilidade, Biologia molecular, PCRResumen
Introdução: As intervenções em saúde devem ser inseridas em diferentes níveis de atenção para cada população. As mulheres com vulnerabilidades são mais susceptíveis às IST, e a maioria é assintomática. Quando sintomáticas têm dificuldades de atendimento. Objetivo: Pesquisar patógenos de infecções sexualmente transmissíveis por painel RT-PCR e análise de colpocitologia oncológica em meio líquido em mulheres em situação de vulnerabilidade social na cidade do Rio de Janeiro. Métodos: Estudo observacional de corte transversal, para avaliação, clínica e laboratorial, ginecológica com coleta de amostras cérvico-vaginal, entre mulheres em vulnerabilidade social realizado de 2022-2023 no projeto Menina, Moça, Mulher, na cidade do Rio de Janeiro. A análise consistiu na realização de coleta das amostras para colpocitologia (Bethesda 2018) em meio líquido (SurePath®) e RT-PCR Allplex™ STI, de tecnologia da Seegene MuDT™ (Chlamydia trachomatis (CT), Neisseria gonorrhoeae (NG), Mycoplasma genitalium (MG), Mycoplasma hominis (MH), Ureaplasma urealyticum (UU), Ureaplasma parvum (UP) e Trichomonas vaginalis (TV). Sorologias para sífilis e HIV foram realizadas. Todos os exames foram realizados no mesmo laboratório registrado. Critérios de exclusão: tratamento sistêmico ou vaginal, com antimicrobianos nos últimos 30 dias do atendimento. Resultados: 115 mulheres foram. Doze mulheres foram excluídas por não cumprirem dos requisitos. A média de idade: 36 anos. A menor 17 a, a maior 71 anos. Resultados da colpocitologia: Normal, 17 (14,78%), Inflamatório leve, 56 (48,59%), inflamatório moderado, 26 (22,60%), Inflamatório acentuado, 1 (0,86%), Lesão intraepitelial de baixo grau, 6 (5,21%), Lesão intraepitelial de significado indeterminado, 4 (3,47%), Atipias de células glandulares, 1 (0,86%), Carcinoma escamoso de colo uterino, 2 (1,73%), confirmados por meio de colposcopia e biópsia. O diagnóstico de carcinoma de endométrio, 1 (0,86%), foi por biópsia endometrial com colpocitologia normal, mas apresentava sintomatologia clínica, Material insatisfatório, 1 (0,86%), Vaginose bacteriana, 6 (5,21%), Candidíase, 7 (6,08%), Tricomoníase, 3 (2,60%). Resultados de RT-PCR: TV,15 (13,04%), CT, 5 (4,34%), NG, 2 (1,73%), MG, 1 (0,86%), MH, 31 (26,95%), UU, 20 (17,39%), UP, 37 (32,17%), Negativo, 45 (39,13%). Várias amostras apresentavam mais de um patógeno. O diagnóstico por colpocitologia de TV foi 3 (2,60%) e por PCR foi 15 (13,04%). Quatro mulheres (4/115 = 3,47%) foram positivas para sífilis por sorologias treponêmica e não treponêmica. Três outras mulheres (3/115 = 2,60%) foram positivas para HIV. Conclusão: É preocupante as taxas de IST, de alterações em colpocitologia oncótica, incluindo lesões malignas, de coinfecções entre IST, com HIV e sífilis em mulheres em vulnerabilidade no Rio de Janeiro. O diagnóstico por PCR para Trichomonas vaginalis foi bem mais eficiente do que por colpocitologia. Pessoas em vulnerabilidade social devem ter um canal aberto para atendimento médico, rastreio de IST e exames ginecológicos com recursos laboratoriais.
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